Fonte: Caio Parente/Major League Baseball Brasil/Direitos reservados

O projeto de beisebol em Ibiúna, interior paulista, que levou 16 jovens a serem contratados, nos últimos três anos, por franquias da Major League Baseball (MLB) – liga norte-americana, a mais importante no mundo – está paralisado desde 13 de março por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19). Apesar do interesse de que as atividades sejam reiniciadas entre agosto e setembro, o consultor internacional da MLB no Brasil, Caio Parente, afirma que ainda não há um cenário “100% seguro” para o retorno, que segue sem previsão.

“Hoje, consideramos que o estado de São Paulo, assim como algumas regiões do Brasil, ainda não apresentam esse índice de segurança. Podemos estar no platô, mas, o número de óbitos e novos casos ainda é muito grande e não podemos colocar em risco a vida das pessoas”, diz Parente à Agência Brasil. “A pandemia é muito cíclica, ela se auto-regula, então não tem data ainda. Claro que, quando voltar, todos os protocolos da OMS [Organização Mundial de Saúde] e da Secretaria de Saúde do Estado serão adotados”, completa.

Com nome Academia MLB Brasil, o projeto é desenvolvido no Centro de Treinamento Yakult, da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), e reúne jovens de vários cantos do país, e mesmo do exterior. Os participantes que recebem bolsas de estudo – alimentícias e de moradia – além de serem treinados para, futuramente, integrar franquias da Liga. Para integrar o grupo, os meninos passam por seletivas, como a realizada em novembro passado. Entre os atletas revelados, está o arremessador Eric Pardinho, jogador brasileiro mais caro da história da modalidade. Em 2017, Pardinho recebeu US$ 1,5 milhão – o equivalente na época a aproximadamente R$ 5 milhões – para assinar com o Toronto Blue Jays.

Major League Baseball Brasil - Ibiúna (SP)
Fonte:  Caio Parente/Major League Baseball Brasil/Direitos reservados
Segundo Parente, entre 13 e 20 de março, quatro dias antes da quarentena ser decretada no estado de São Paulo, os meninos brasileiros alojados na academia voltaram para suas casas. Já técnicos e atletas estrangeiros retornaram aos países de origem. A exceção foi Kevin Medina, venezuelano de 15 anos que decidiu ficar, já que sua família tem asilo e residência no Brasil. “Quando for o melhor momento, o mais seguro, o retorno será gradual. Vamos contatar as famílias, sentir se elas estão confortáveis com essa volta. Temos um protocolo pronto de testes para, ao menos, os profissionais envolvidos no complexo, da parte técnica, funcionários e atletas”, garante o representante da liga norte-americana.

Volta às aulas

Havia a expectativa de que o governo de São Paulo anunciasse, na última sexta-feira (26), novidades sobre a liberação de práticas esportivas no estado, o que não aconteceu. Mas, de acordo com o secretário-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo, isso deve ocorrer “nos próximos dias”. Por enquanto, uma das sinalizações do governador João Doria que impacta a favor da retomada das atividades esportivas é a volta às aulas presenciais a partir de setembro. “A informação é importante porque os meninos poderiam voltar à Ibiúna para frequentar as escolas, mesmo que de maneira racionalizada”, explica Parente. “A academia poderá reabrir quando os alunos puderem ir à escola. Claro que isso pode mudar, mas uma das coisas que está sendo conversada é essa”, completa.

O retorno às aulas depende de todo o estado estar, ao menos, na terceira das cinco fases de flexibilização das atividades, por 28 dias seguidos, o que significaria uma redução do avanço da covid-19 em São Paulo. Atualmente, porém, a maior parte do território paulista ainda está na primeira etapa – alerta máximo – que só permite funcionamento de serviços essenciais. É o caso da região metropolitana de Sorocaba, onde fica Ibiúna. A revisão das fases só será feita no próximo dia 10. 

O plano de flexibilização não detalha a etapa para liberação de complexos como o CT de Ibiúna, onde a maioria das atividades ocorre a céu aberto. A situação é semelhante a de times de futebol. Tanto que para poderem reiniciar os treinos, as equipes da Série A1 do Campeonato Paulista tiveram que apresentar um protocolo específico ao Governo do Estado. “Claro que só poderemos reabrir [o centro de treinamentos] quando o poder público autorizar, mas não é isso que norteará o trabalho, pois temos técnicos e atletas de outras cidades e até estados. Cada lugar desses está em um nível diferente”, pondera o consultor internacional da MLB.

Outro pré-requisito para o reinício das atividades é o início da temporada da própria MLB nos Estados Unidos – agendado para 23 ou 24 de julho. “Com o retorno da Liga, eles voltam a ter receita e conseguem manter os projetos internacionais, mas o primordial são condições de saúde e segurança de atletas, familiares e profissionais”, conclui Parente.

Fonte: Agência Nacional

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