Flabolo do bairro da Glória (Foto: Aquivo Rizoney Rocha)

Suspensão das competições mudou rotinas e afetou orçamentos de diversos jogadores nos fins de semana por diversos bairros de Manaus.

“Sinto saudade dos campeonatos”. A frase do motorista de aplicativos Wellington Marat, 27, resume o sentimento de amantes do futebol amador nos bairros da capital. 

Mais conhecido como ‘Fenômeno’ nos gramados, ele é morador do bairro de Alvorada, zona Oeste da capital, e passou a vida toda nos campos de barro da cidade disputando campeonatos.

“Assim que acabar a quarentena é voltar para os campos”, afirma, sobre as medidas de isolamento social que por enquanto tem o dia 29 de junho como prazo, por conta do avanço do novo coronavírus.

A Prefeitura de Manaus suspendeu, há mais de um mês, a realização de eventos públicos em toda a cidade, atingindo diretamente o futebol de várzea nos bairros amazonense.

“Nunca fiquei tanto tempo sem jogar bola com a rapaziada. Essa quarentena está sendo pior que fazer um gol contra”, afirma o centroavante Matheus Barbosa, 24, jogador do ‘Amigos do Tonton’, time do bairro de Santo Agostinho, na zona Oeste. 

Matheus é militar da Aeronáutica e jogava nos fins de semana. Disputa a Copa dos Amigos, uma das mais importantes do bairro. O torneio foi paralisado pela organização no último jogo da primeira fase, em 15 de março. Para matar a saudade e não perder a forma, Matheus treina no quintal acompanhado do amigo, Wellington.

DIRIGENTES

Além da pausa para as peladas de fim de semana, a parada também tem afetado um segmento que se tornou um negócio importante para os “peladeiros”, com a comercialização de produtos, premiações altas e patrocínios envolvidos. 

O campeonato de Máster, no bairro José Bonifácio, por exemplo, no famoso campo de pelada do bairro, o ‘Campo da Torre’, localizado na zona Norte tem uma premiação de R$ 12 mil ao vencedor. 

Os organizadores do torneio têm mantido informações sobre a paralisação no Facebook. Também têm dado apoio ao isolamento social, dicas de prevenção, mas por enquanto ninguém arrisca uma data para o retorno da competição.

No caso da atacante Ana Karolina Aparecida, 22, conhecida como ‘Mineira’, a situação do isolamento fez ela deixar Manaus. Ela saiu da capital, para Manacapuru, cidade do interior do Estado, por conta da Covid-19. 

Na casa dos pais ela improvisa os treinos. “Peguei as garrafas pets e fiz de obstáculos, treinar sem acompanhamento do professor tem que ter muita disciplina”, conta. “O espaço é pequeno e treinar no gramado é mais fácil que no cimento. Sinto falta da grama”. 

Peladas e Cevedas (Foto: Arquivo)

Outro impacto financeiro para os jogadores são os cachês recebidos em alguns jogos. Não há regra universal sobre isso e, em geral, os times evitam falar sobre os prêmios. Mas parte dos jogadores conseguem fazer da atuação um complemento da renda.

“Quem joga nos campeonatos de bairro joga por amor porque sabe que é difícil, nem todos os clubes têm condições de pagar, mas não vou negar, o dinheiro do bicho ou o aquele que a gente ganha para jogar, ajuda muito a pagar uma conta em casa ou comprar uma nova chuteira”, comenta o atacante Adilson Prata.

“Não recebo para jogar, mas quando ganhamos campeonatos, dividimos a premiação por igual, para todos”, diz Anderson Cleiton, dirigente e jogador do A.C.T, zona Oeste de Manaus.

Ele também diz estar correndo e praticando exercícios em casa para manter a forma e dá o exemplo. “Evito ficar na rua e em aglomeração, estou indo trabalhar porque preciso, senão nem saía de casa”. 

Na Cidade Nova, na zona norte, Darlan Cruz, 37, confecciona uniformes para equipes das peladas há um ano. Sem o futebol, ele viu nessa pandemia outra forma de continuar trabalhando. Começou a fazer máscaras estilizadas com os símbolos das equipes. 

“Começamos a fazer para time do bairro, o Vila Nova e depois passamos a expandir”, diz. Os pedidos têm sido feitos pelas redes sociais, e os valores podem variar entre R$ 10 a 15. 

Fato é que a bola rolando nos campos dos bairros também é um espaço social para vários jogadores. “Tudo nos campeonatos faz falta, a resenha, o grupo, ir para beira de campo, fazer amizades, trocar uma ideia, muito bom”, diz Ivan Cabral, craque do ‘Rasga Velha’. “Isso não tem preço”.

Sobre a possibilidade de volta aos campos ainda este ano todos se mostram otimista, mas Ivan vê dificuldades. “Acho que voltam (os campeonatos) esse ano ainda, mas, vai voltar todo mundo receoso, e a segurança, deve vir em primeiro lugar”.

Rizoney Rocha;

Alternativa Sports, valorizando o esporte amazonense.

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